domingo, 27 de setembro de 2026

A medida do Reino

A Palavra de Deus declara:
  • (Efésios 4:22-24) (22) "Quanto à antiga maneira de viver, dispam-se do velho homem, que se corrompe por desejos enganosos, (23) para serem renovados no modo de pensar e (24) se vestirem do novo homem, criado para ser semelhante a Deus em justiça e santidade provenientes da verdade."
Quando nos tornamos discípulos de Cristo, não podemos continuar vivendo segundo os mesmos padrões que governavam nossa antiga maneira de viver.

Paulo apresenta aqui três movimentos fundamentais da vida cristã: despir-se, ser renovado e revestir-se.

Despir-se do velho homem significa abandonar a antiga maneira de viver, deixando para trás velhos hábitos, atitudes e padrões que não correspondem mais à nova vida em Cristo.

Ser renovado no modo de pensar mostra que a transformação também precisa acontecer na mente. Não basta mudar algumas atitudes; precisamos aprender uma nova maneira de pensar, porque uma mente renovada produz uma nova maneira de viver.

E, finalmente, Paulo diz que devemos nos revestir do novo homem. O discípulo não apenas abandona velhos hábitos; ele desenvolve novos hábitos, novas atitudes e uma nova maneira de viver, segundo aquilo que Deus deseja.

Portanto, seguir a Cristo envolve uma verdadeira mudança: abandonar a velha maneira de viver, renovar a maneira de pensar e aprender uma nova maneira de viver.

Não podemos viver a nova vida usando os velhos padrões.


(Lucas 6:27-38)
(27) "Digo, porém, a vocês que estão me ouvindo: Amem os seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam,
(28) bendigam aqueles que os maldizem, orem por aqueles que os maltratam.
(29) Se alguém bater em você em uma face, ofereça-lhe também a outra. Se alguém tirar de você a capa, não o impeça de tirar a túnica.
(30) Dê a todo aquele que lhe pede e, se alguém tirar o que pertence a você, não exija que o devolva.
(31) Como desejam que as pessoas façam a vocês, assim façam a elas.
(32) — Se vocês amarem aqueles que os amam, que mérito terão? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
(33) E, se fizerem o bem àqueles que são bons com vocês, que mérito terão? Até os pecadores agem assim!
(34) Que mérito terão se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os pecadores emprestam a pecadores, esperando receber devolução integral.
(35) Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles sem esperar receber nada de volta. Então, a recompensa que terão será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo, porque ele é bondoso para com os ingratos e maus.
(36) Portanto, sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai de vocês.
(37) — Não julguem, e não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados.
(38) Deem, e será dado a vocês: uma boa medida, calcada, sacudida e transbordante será dada a vocês. Pois a medida com que medirem será usada como medida para vocês."


(Lucas 6:27-38)


Jesus começa apresentando o princípio central:


1) Ame e faça o bem até a quem se coloca contra você:

(27) "Digo, porém, a vocês que estão me ouvindo:

Ouvir aqui envolve mais do que perceber palavras. É escutar com atenção e disposição para acolher o que está sendo dito.

Jesus fala a quem está disposto a receber Seu ensino.


Amem os seus inimigos, 
  • Amar aparece como uma ordem. 
O sentido é agir em favor do outro, buscando o seu bem, mesmo quando se trata de um inimigo.


O contraste é intencional:
  • Eles são inimigos - vocês amem.

façam o bem aos que os odeiam,
  • Jesus transforma o amor em ação. 
Fazer o bem significa praticar aquilo que é bom em relação justamente àqueles que demonstram ódio.

O amor que Jesus ensina não é determinado pela atitude do outro.


Jesus agora mostra como esse amor se manifesta 
na prática:


2) Responda à hostilidade com bênção e oração:

(28) bendigam aqueles que os maldizem, 
  • Bendizer significa falar bem, abençoar, desejar o bem.
  • Maldizer expressa exatamente o movimento contrário: falar contra alguém, desejar-lhe o mal.

orem por aqueles que os maltratam.
  • Maltratar comunica a ideia de tratar alguém de maneira ofensiva, hostil ou abusiva.
Jesus ordena que a resposta do discípulo seja a oração.

O comportamento daquele que pratica o mal não determina a resposta daquele que segue Jesus.


Jesus coloca as duas atitudes em contraste: 
  • Eles amaldiçoam - vocês abençoem.
  • Eles maltratam - vocês orem.

Jesus viveu exatamente aquilo que ensinou:
  • (Lucas 23:34) "Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que estão fazendo."
  • (1 Pedro 2:21-23) (21) "Para isso vocês foram chamados, pois também Cristo sofreu no lugar de vocês e deixou exemplo para que sigam os seus passos. (22) Ele não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado na sua boca. (23) Quando ele era insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça."
Jesus não apenas ensinou a responder ao mal de maneira diferente; Ele viveu aquilo que ensinou. Diante da hostilidade, não respondeu com vingança, mas com perdão e confiança nAquele que julga com justiça.

Assim, o discípulo encontra em Cristo não apenas um mandamento, mas também o exemplo de como viver essa nova maneira de responder.


Jesus nos ensina o comportamento diante 
da agressão e da injustiça:


3) Renuncie à vingança pessoal:

(29) Se alguém bater em você em uma face, 
  • Jesus apresenta agora uma ofensa concreta.

ofereça-lhe também a outra. 
  • O sentido está na renúncia à retaliação. 
O discípulo não deve responder à ofensa reproduzindo a mesma ofensa.


Jesus é agredido, Ele não simplesmente se oferece para se golpeado novamente; Ele questiona a injustiça do ato:
  • (João 18:22-23) (22) "Quando Jesus disse isso, um dos guardas que estava perto deu um tapa no rosto dele. — Isso é jeito de responder ao sumo sacerdote? — perguntou. (23) Jesus respondeu: — Se eu disse algo mal, prove que é mal. Mas, se falei a verdade, por que me bateu?"

Jesus continua:

Se alguém tirar de você a capa, não o impeça de tirar a túnica.
  • A capa era a veste exterior; a túnica, a veste usada por baixo.
A linguagem é deliberadamente forte. Jesus descreve alguém disposto a abrir mão da reação de reivindicação pessoal diante daquilo que lhe foi tirado.


O princípio permanece:
  • O discípulo não responde ao mal reproduzindo o mal recebido.

4) Seja generoso diante de quem pede:

(30) Dê a todo aquele que lhe pede e,
  • Dar significa conceder, oferecer.
Jesus apresenta uma disposição aberta à generosidade.


se alguém tirar o que pertence a você, 

Agora não se trata de alguém que pede, mas de alguém que toma.


Mesmo diante dessa situação, Jesus diz:

não exija que o devolva.
  • A força do ensino está no desapego. 
O discípulo não deve viver dominado pela necessidade de reter aquilo que possui ou recuperar aquilo que perdeu.


Jesus apresenta agora um princípio que resume essa maneira de viver:


5) Tome a iniciativa de fazer o bem:

Jesus transforma aquilo que desejamos receber em referência para aquilo que devemos oferecer.

(31) Como desejam que as pessoas façam a vocês,
  • Desejar significa querer que determinada atitude seja dirigida a nós.

Jesus, então, inverte a direção:

assim façam a elas.
  • Não é apenas esperar receber, é começar fazendo.
O discípulo não espera primeiro a atitude do outro para decidir como irá tratá-lo.

Faça ao outro aquilo que você gostaria de receber dele.


Jesus amplia o ensino mostrando que o amor do Reino vai além daquilo que recebemos em troca:


6) Ame além da reciprocidade:

Jesus começa a explicar por que Seu ensino é diferente da simples reciprocidade.

(32) — Se vocês amarem aqueles que os amam, 

Aqui existe correspondência: Eu amo porque sou amado.


Jesus pergunta:

que mérito terão? 
  • A expressão comunica a ideia de favor, benefício ou reconhecimento decorrente dessa atitude.

Não existe nada distintivo em amar somente quem nos ama, porque:

Até os pecadores amam aqueles que os amam.

O amor ensinado por Jesus ultrapassa a troca.


7) Faça o bem além da reciprocidade:

(33) E, se fizerem o bem àqueles que são bons com vocês, que mérito terão? Até os pecadores agem assim!

Jesus aplica ao fazer o bem exatamente o mesmo princípio aplicado ao amor.

Primeiro: amar aqueles que nos amam.

Agora: fazer o bem àqueles que fazem o bem a nós.

Nos dois casos existe reciprocidade.

Jesus mostra que Seus discípulos são chamados a uma bondade que não depende de receber primeiro.

Fazer o bem somente quando recebemos o bem ainda é viver segundo a lógica da troca.


8) Seja generoso sem fazer do retorno a sua motivação:

(34) Que mérito terão se emprestarem a pessoas de quem esperam devolução? Até os pecadores emprestam a pecadores, esperando receber devolução integral.

Jesus apresenta o terceiro exemplo da mesma sequência.

No versículo 32: Amar esperando amor.

No versículo 33: Fazer o bem em resposta ao bem.

Agora: Emprestar esperando receber de volta.

O ponto está na expectativa de retorno.

Jesus está mostrando que a generosidade dos Seus discípulos deve ultrapassar uma relação baseada apenas em receber de volta aquilo que foi oferecido.


Jesus eleva o ensino ao seu fundamento: devemos viver assim porque refletimos o caráter do nosso Pai:


9) Reflita a bondade do Pai:

Jesus reúne novamente os três ensinamentos:

(35) Amem, porém, os seus inimigos, façam-lhes o bem e emprestem a eles sem esperar receber nada de volta.

Jesus retoma as três atitudes anteriores:
  • Amem.
  • Façam o bem.
  • Emprestem sem esperar retorno.
Mas agora desaparece a lógica da reciprocidade.


Então, a recompensa que terão será grande, 

A recompensa não é colocada nas mãos das pessoas, mas em Deus.

O discípulo deixa de fazer o bem dependendo da resposta humana.


e vocês serão filhos do Altíssimo, 
  • A expressão aponta para a identificação dos discípulos com o caráter do Pai. A maneira como vivem evidencia a semelhança familiar.

E Jesus explica qual característica do Pai está sendo refletida:

porque ele é bondoso para com os ingratos e maus.

Aqui está a razão de amar quem não ama, fazer o bem a quem não corresponde e ser generoso sem depender do retorno: O próprio Deus é bondoso para com os ingratos e maus.


Jesus resume esse caminho com uma palavra: misericórdia


10) Faça da misericórdia do Pai o seu padrão:

(36) Portanto, 
  • Essa palavra conecta o versículo a tudo o que Jesus acabou de ensinar.

Amar os inimigos, fazer o bem, abençoar, orar e agir sem depender da reciprocidade convergem para esta ordem:

sejam misericordiosos 

Ser misericordioso significa agir com compaixão diante do outro.


Mas Jesus estabelece uma referência:

como é misericordioso o Pai de vocês.

O padrão do discípulo não é o comportamento daquele que está diante dele, o padrão é o Pai.


Jesus ensina como a misericórdia deve aparecer em nossos relacionamentos:


11) Não julgue nem condene; perdoe:

Jesus continua desenvolvendo a misericórdia do versículo anterior.


Jesus estabelece uma correspondência:

(37) — Não julguem, e não serão julgados. 
  • Julgar: avaliar, decidir, fazer distinção.
Julgar, neste contexto, traz a ideia de assumir uma postura de julgamento sobre o outro.


Não condenem, e não serão condenados. 
  • Condenar: declarar culpado, pronunciar sentença contra alguém.
Condenar intensifica a ideia: pronunciar-se contra alguém como culpado.


Depois, muda da proibição para uma ordem positiva:

Perdoem, e serão perdoados.
  • Perdoar traz o sentido de soltar, liberar, deixar ir.
A misericórdia do Pai, apresentada no versículo 36, agora aparece concretamente na maneira como o discípulo trata aquele que falha.


12) Use com os outros uma medida generosa:

(38) Deem, e será dado a vocês:
  • Continue dando.

Jesus continua a sequência:
  • Não julguem.
  • Não condenem.
  • Perdoem.
  • Deem.

Jesus usa a imagem de alguém medindo grãos:

uma boa medida,
  • É uma medida generosa.

calcada, 
  • O conteúdo é pressionado para que caiba mais.

sacudida 
  • A medida é agitada para eliminar os espaços vazios e acomodar mais conteúdo.

e transbordante será dada a vocês. 
  • A quantidade ultrapassa os limites do recipiente.
A imagem é de uma medida completamente cheia e abundante.


Jesus conclui:

Pois a medida com que medirem será usada como medida para vocês."
  • O princípio da medida encerra o ensino.
A maneira como medimos está diretamente relacionada à maneira como seremos medidos.

Por isso, a pergunta que o próprio texto coloca diante de nós é: Qual medida temos usado com as pessoas?


Conclusão:

Jesus começa dizendo: “Amem os seus inimigos” e termina falando sobre a medida que usamos com as pessoas.

Ao longo de todo o ensino, Ele apresenta uma medida diferente da simples reciprocidade: amar mesmo quando não somos amados, fazer o bem sem depender do bem recebido, abençoar quem amaldiçoa, orar por quem maltrata, perdoar e agir com generosidade.

E Jesus revela de onde vem essa medida: "Sejam misericordiosos como é misericordioso o Pai de vocês."

Essa é a medida do Reino: nossa maneira de tratar as pessoas não é determinada pela maneira como elas nos tratam, mas pelo caráter do nosso Pai.

Por isso, a pergunta que fica é: Qual medida temos usado com as pessoas?

Porque Jesus encerra dizendo: "A medida com que medirem será usada como medida para vocês."

No Reino, não medimos os outros pela medida que recebemos deles; aprendemos a medir pela misericórdia que vemos no Pai.


Graça e paz,
Pra. Angela Caldas.

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